domingo, 30 de agosto de 2009

ciclo lunar


Olho para céu na minha última noite em Noronha e reencontro a lua crescente que encontrei quando cheguei aqui há 31 dias atrás.
Foram 32 dias, 768 horas, 248 horas de plantão, 520 horas livres pela ilha, 4 ciclos lunares, vários amigos novos, várias equimoses e picadas de mosquitos, inúmeros banhos de mar, cerveja mais que deveria e muitos banhos frios(credo!). Duas sessões de massagem Ayurvética e várias aulas de Ioga.
Minha última noite em Noronha será dentro do Hospital, inicialmente eu fiquei triste, mas eu passei tantas coisas neste ambiente, que talvez seja o melhor lugar para dizer adeus.
Tenho um sentimento ambíguo de tristeza e felicidade pela partida deste local que tanto me encanta e mexe comigo.
Começo a ler os e-mails e já estou voltando, semana que vem será em Porto Alegre, não fazerei parte da agenda de Noronha.
Participei na mesma semana da festa Magnânima de comemoração de 18 anos da Pousada do Zé Maria e da Festa 506 anos de Noronha na Vila dos Remédios, duas comemorações do mesmo povo uma da Elite e outra Popular.
A festa dos 506 anos de Noronha foi na praça da Vila dos Remédios um evento na ilha , todos os músicos da ilha estavam lá e a população dançando quadrilha, ciranda , forró em plena praça, coisa linda de ver!Fui convidada para trabalhar no PSF de Noronha ...quem sabe???

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Última semana


Falta uma semana

Impressionante a velocidade do tempo, ontem eu estava chegando aqui, hoje eu me sinto uma nativa e amanhã estou indo embora.
Esse mês foi vivido cada dia após o outro intensivamente, ora nos plantões ora mergulhando, caminhando , observando, pensando enfim aproveitando esse lugar.
Não tinha a mínima ideia do que me esperava este mês, e confesso não chegaria perto do que passou.
Foram amizades feitas inesperadamente, noticias avassaladoras das amigas do sul, trilhas sobre pedras, mergulhos profundos, beijos roubados, frustrações, aceitações e aparições.
Momentos que tomaram rumos desajeitados e terminaram em emoções como o final de tarde na praia da Conceição com batida dos tambores na alma.
Trilhas erradas e resgates com a sutileza de quem caminham por essa estrada desde criança, a piscina no meio da pedra com gosto de brinquedo de infância.
Ser abordada na minha caminhada para chegar na hora de não perder o pôr-do-sol.
Se planejar para ver a lua nascer.
Vir fazer plantão e ser acompanhada por um arco-íris.
Atender uma senhorinha de 81 anos, 26 gestações, 14 filhos vivos, 61 anos de casada e viúva há 2 meses no plantão, fiquei tão emocionada com a lucidez daquela mulher, que me falou que a arte da vida é aceitação! Uma sabedoria em pessoa.Noronha foi definida para mim como um lugar que é para todos, mas nem todos são para Noronha. Eu sou para Noronha

sábado, 22 de agosto de 2009

O lagarto Teju


Teju Açu

O lagarto teju - Açu foi introduzido em Fernando de Noronha na década 50, com a intenção de controlar a população de ratos e camundongos. Infelizmente, ninguém tinha pensado no fato de que os ratos são principalmente animais noturnos enquanto que os tejus são diurnos! Os tejus acharam mais fácil se alimentar dos ovos das aves marinhas que faziam ninhos no solo e, em vez de uma praga, a ilha logo tinha duas. Chegam a ter 1,20m de comprimento e, segundo dizem, têm uma carne saborosa (oficialmente a caça é proibida, mas, já que o bicho é uma praga, os guardas não fiscalizam).


Então essa é a história da entrada do Teju na ilha, todo mundo no arquipélago tem a sua, inclusive o lagarto.
Mas eu trouxe este trecho por vários motivos, um foi contar que um dia estava no refeitório do hospital, e quando olhei para nosso estacionamento, lá estava um Teju passando todo formoso, pelo estilo quase achei que estava indo para emergência consultar, coisas que só acontecem em Noronha.
Outra foi que em Noronha existe a Pousada Teju - Açu, uma das mais bonitas e caras óbvio! Outro dia estando eu de plantão chegaram 2 meninos, cada um mais lindo que o outro, o meu paciente um adolescente 11 anos um lindão falando todo educado comigo e apavorado com sua queixa.
Pronto meu chão novamente. Expliquei, examinei e acalmei-o e sua mãe, o básico, mas o sentimento era de estar dando o meu melhor.
Final de consulta, a mãe do paciente me convidou para jantar em agradecimento ao meu atendimento, que ela havia gostado muito, em sua pousada, advinha qual?
Todavia o que mais importa é esse reconhecimento, esse respeito mutuo paciente-médico, coisa que se existe em Noronha.

Finalizando sobre a história do lagarto, ela é um pouco a história de todos nós, às vezes tomamos atalhos, colocamos a intenção em algo, e ela sai para outro lado, a moral da história do Teju para mim é aceitação! Sempre que tentamos mudar algo que não pode ser mudado pagamos um preço, e o preço pode ser uma grande lição.

Achei interessante...


Quebre sua casca
A maioria das coisas que não fazemos, na verdade nem tentamos fazer. Simplesmente porque não confiamos em nossos potenciais. Rompa este paradigma!

Por Eugenio Mussak
EXAME
Este artigo trata de mudanças. Mudanças que nos são impostas e mudanças que nós mesmos devemos provocar. Para começar, você entende bem o significado da palavra paradigma? Quase todos os dias ouvimos alguém dizer que precisamos quebrar paradigmas. No começo eu imaginava um paradigma como uma espécie de vidraça, pronta para receber uma pedrada.
Pois paradigma significa cultura geral vigente. Ou seja, é a maneira como as pessoas em conjunto vêm um fato, entendem um fenômeno, criam uma crença. Quebrar paradigmas significa, portanto, mudar uma crença disseminada, contrariar o senso comum. Hoje em dia, quebrar paradigmas virou uma espécie de moda, de atividade própria dos empreendedores. No entanto, devemos lembrar que paradigmas sempre existem e que quando se abandona um se cria outro. Não nos livramos de paradigmas, apenas os substituímos.
Tanto nas ciências naturais como nas ciências humanas existem paradigmas, e os mesmos podem ser igualmente quebrados e modificados. A diferença, é que nas naturais isso não modifica os fatos, enquanto nas humanas, sim. O homem acreditou por séculos que o Sol girava em torno da Terra. Quando Nicolau Copérnico e sua turma disseram que era o contrário, foi uma tremenda quebra de paradigma, que resultou até em julgamentos pelos tribunais da Inquisição. Mas para a Terra e para o Sol pouco importa o que pensamos. Os astros continuaram a mover-se do mesmo jeito. Ou seja, quando mudamos nossa crença sobre o fato, ele não se altera.
Já nas ciências humanas não é assim que acontece. Uma mudança de paradigma interfere no fato. Enquanto acreditávamos que a mulher só era capaz de realizar trabalhos domésticos, era apenas isso que ela fazia. Hoje acreditamos que ela pode fazer isso e muito mais, e ela faz. O paradigma mudou o fato ou o fato mudou o paradigma? Se pensarmos que podemos, podemos, se pensamos que não podemos, não podemos. Paradigmas versus fatos.
É nisso que reside à responsabilidade de quebrarmos paradigmas nas ciências humanas, pois mudamos o comportamento através da mudança do pensamento. Mas é também nesse ponto que reside à beleza da liberdade criativa do Homem. Com sua capacidade infinita de criar e renovar-se, o Homem tem o poder de mudar a si mesmo e ao mundo que o rodeia.
Se, por um lado à sociedade cria paradigmas através do inconsciente coletivo, por outro cada pessoa também cria paradigmas a seu próprio respeito, e são justamente esses que merecem mais nossa atenção. A auto-apreciação é fundamental para uma convivência saudável da pessoa com ela mesma. Uma permanente verificação de sua escala de valores, e da definição de seus limites e de seus alcances, atualiza a consciência da pessoa.
Como saber se eu posso empreender meu próprio negócio se eu tenho uma visão incompleta de minhas próprias potencialidades? Como saber se, ao recusar uma importante missão na empresa eu não estou tendo uma visão pequena de minhas próprias potencialidades? É clássico que confiamos só em quem conhecemos. A autoconfiança obedece à mesma lógica. Portanto a permanente auto-análise é necessária para que possamos nos superar sempre. A maioria das coisas que não fazemos, em verdade nem tentamos fazer, pois não confiamos em nossos potenciais. Paradigmas, nada mais que paradigmas.
Poderíamos definir o Homem como um ser capaz de quebrar paradigmas e, através disso renovar-se permanentemente. Somos como o inseto, que para crescer tem que quebrar seu envoltório rígido que, se por um lado o protege, por outro o aprisiona. O inseto rompe seu exoesqueleto várias vezes durante sua vida, de maneira um pouco traumática, e isso o deixa vulnerável por algumas horas. O inseto quebra o envoltório rígido para crescer. O Homem quebra paradigmas rígidos também para crescer. Às vezes, crescer dói...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Feliz aniversário Mãe


Feliz aniversário Mãe

Minha querida mãe parabéns pela data, mas parabéns mesmo por ser a minha mãe, mãe dos meus irmãos e avó dos meus sobrinhos.
Hoje consigo me dar conta de muitas coisas, mas não me culpo, afinal tem lições que só a idade ou maturidade fazem a gente entender.
Entendo que deve ter sido muito difícil ter tido quatro filhos,
Entendo que deve ter sido muito difícil perder o pai tão cedo como perdestes,
Entendo que deve ter sido muito difícil ter sido filha de uma mãe com tantas dificuldades de demonstrar afeto,
Entendo que foi difícil ser filha única,
Entendo que foi difícil à separação com meu pai,
Entendo que foi difícil administrar Três adolescentes ao mesmo tempo, e uma criança sozinha,
Entendo que não havia manual para traduzir os meus ataques de fúria e desrespeito, pois naquela época nem eu me entendia,
Agora eu sei e sei que também aprendeu na marra da vida que um grito muitas vezes é um pedido de socorro, um ataque de fúria só faz mal a quem o tem, mas só o tempo nos ensina isso.
Ouço muitas vezes as mães e seus filhos adolescentes que atendo com queixas que lembram em muito nossa relação, tenho maior compaixão com o que ouço, pois me identifico muito com a nossa, e sempre digo “vocês não estão se entendendo precisam aprender a falar a mesma língua”, e sabe parece que falo algo mágico, a pedra filosofal.
Entendo que por muitos anos não falamos a mesma língua, mas fomos aos poucos nos descobrindo e nos respeitando e atualmente acredito que falamos o mesmo idioma com algum sotaque diferente, mas a mesma língua.

Muito Obrigada por ser minha mãe

Amo-te muito apesar de conseguir falar tão pouco sobre isso!

Tua filha
Márcia

Saudades


Hoje bateu forte a saudade

Domingo chuvoso de plantão não tem como não ser invadida por uma onda de nostalgia, mesmo que esta onda seja em Noronha.
Estou há 17 dias aqui e inicialmente tudo era festa, uma expectativa e euforia. Agora me sinto quase uma nativa, caminho pelas ruas empoeiradas e vou encontrando um e outro conhecido, quer dizer paciente do hospital.
O hospital centraliza quase que o hall de entrada da casa de muitos moradores da ilha, logo eu sou o enfeite do mês. Todavia isso acalma a saudade, me faz sentir em casa e sinceramente eu gosto. Aqui o sotaque é carregado e eles não entendem muito que eu falo, outro dia na praia uma menininha nativa de cerca de 5 anos me ouvindo falar com meu instrutor de mergulho, olhou séria para mim e perguntou para instrutor.”que língua ela fala ? é ingres??” cai na risada, ai olhei para instrutor e perguntei tu entendes tudo que eu falo?”Ele falou - às vezes”. Jesus!
Ontem pela manhã tive minha primeira aula prática de mergulho, que caso fosse em Porto Alegre é para ter sido em uma piscina (águas confinadas), pois é o pré-mergulho com todo equipamento montado por mim. Mas estando em Noronha essa etapa é na praia do Porto, com direito a ver raias, peixinhos e tudo mais só de inicio. Amanhã termino o curso e estarei pronta para ir para mar aberto. Programa imperdível nesta ilha.
À tarde depois da minha aulinha de mergulho no sábado pela manhã, fui com meu grupo de amigos do Hotel Transito pegar uma praia, quer dizer dar uma volta da Baía dos porcos para Sancho. Éramos 6 e meio, adivinha porque o meio, quem era o meio??Óbvio eu.
Aqui não é necessário fazer esforços para ter tudo de bom e maravilhoso que a natureza oferece, passamos uma deliciosa tarde em um grupo de amigos, mergulhando, fazendo trilhas proibidas rindo da nossas próprias caras e fugindo dos fiscais do Ibama.
À noite um peixe na folha de bananeira na casa do fulano, traje para noite, vestidinho preto, maquiagem, boca vermelha e sapato oficial de Noronha Havaianas.

domingo, 16 de agosto de 2009

Segunda semana na estrada


Então fazem exatamente 2 semanas que estou literalmente ilhada.
E na pratica o tempo está voando, ou melhor ventando........
Ontem fiz plantão, o quinto de uma serie de dez, e o primeiro calmo. Muito obrigada!
Tenho aprendido tanto nesses plantões, converso com as pessoas, observo suas queixas, saio correndo para livros e net quando me bate o pavor da minha ignorância em clinica, mas ofereço o que tenho de melhor que é minha compaixão, vontade de ajudar e solidariedade.
Fico realizada quando é criança, claro é o meu chão.
Depois do plantão do Seu Encarnação, o quarto plantão no caso, o de ontem foi um recreio. Ah não cheguei a contar do plantão do Encarnação.
Duas horas após inicio do plantão chega um senhor, que mora na ilha desde 1972, de cara já simpatizei com ele, pois inevitavelmente desde o ano que nasci ele mora aqui.
Um senhor forte de 59 anos, com uma dispnéia horrosa e negando o fato, e atrás vinham as filhas dele se queixando que há 5 dias ele estava assim e não queria vir ao medico, e agora justo no meu plantão pensei eu , a pediatra.
Sempre fui muito metida nos plantões com os clínicos e de dei conta que se tratava de um edema agudo de pulmão, e como dizem os medico um quadro clássico. E assim providenciei todo atendimento elevação da cabeceira, oxigênio, medicações e etc e tal.
Cerca de 2 horas depois ele estava recitando poesias para mim, em nenhum momento se queixava de nada, uma vontade de viver desesperada e eu de mante-lo vivo.
Estabilizamos o quadro, o meu ego inflou tratei o edema agudo, agora é só conseguir o salva aéreo para ir para UTI Recife.
Que nada primeiro obstáculo salva aéreo aeronáutica não vem ,estabilizamos o paciente então devemos ficar 24 horas paciente para observação e pronto tentei argumentar sobre a minha estrutura hospitalar. Nada feito.
Passando 3 horas seu encarnação retorna a piorar, RX tórax uma enorme cardiomegalia, constatação coração grande, pois amou demais, mas na pratica insuficiência cardíaca grave.
Chamei o meu colega de plantão que veio prontamente, e ambos estávamos apavorados vendo este senhor piorar. Ok vamos chamar algum medico da ilha, no quadro havia um cardiologista, que não atendeu fone.
Chegaram 1 hora após André e Lílian, ambos médicos mineiros ele cardiologista e ela nefrologista. 2 anjos em minha vida. Cada dia que passa acredito mais nos anjos que me acompanham. Esse dois médicos foram de uma postura, dedicação, paciência assumiram o paciente comigo , me ensinaram várias dicas cardiológicas de intensivismo, com uma competência rara nos dias de hoje.
Resumo da opera eles me ajudaram a salvar seu encarnação, e este homen no meio de toda a angustia e intercorrencias, mal estar das bradicardias e mascara de ventilação assistida nunca reclamou de nada, queria me dar um passeio de barco pela ilha. Deixa disso Seu encarnação.
Seu encarnação foi transferido as 8 horas do dia seguinte após 22 horas comigo, não preguei o olho, passeio o plantão para Joana, minha companheira de quarto, chorando um choro de exastão, emoção e agradecimento pois tudo havia terminado bem. E Hoje 4 dias após o fato já soube que ele já saio da UTI em Recife, vou cobrar o passeio de barco.
Muito obrigada André e Lilian e parabéns por serem do jeito que vocês são.

E assim são as coisas na ilha........
Márcia

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Notícias Noronhenses


A Primeira das boas noticias a Pandora está grávida de 4 filhotinhos mimosos, ai meu Deus minha casa vai ficar cheia de lindinhos quando o setembro chegar.
Para quem não sabe o Fernando, meu vizinho, e grande amigo que ficou cuidando da Pandy ela passa o dia com ele, passeia com seu Helio e a noite dorme na cama dela, existem suspeitas que seja a minha........
Acredito que terei que resolver o uso capião com a Pandora quando voltar!
Estou fazendo meu quinto plantão no Hospital, tenho fama de pé frio, pois meus plantões são agitados e cheios de intercorrencias, o ultimo plantão montamos uma UTI cardiológica aqui e graças a dois médicos mineiros maravilhosos, dois anjos que vieram me ajudar conseguimos estabilizar o Seu Encarnação e depois de 22 horas ininterruptas chegou a Uti aérea e levou o paciente para Recife.
Passei o plantão para outra medica, Joana minha companheira de quarto, chorando, um choro de exaustão, felicidade por ter conseguido terminar tudo bem..Foi muito difícil estava muito fragilizada com todo estresse de ter um paciente grave e pouco recurso.
Mas apesar de tudo, agora mais que nunca, tenho certeza que tenho anjos que me acompanham, pois esses Dois médicos que vieram me ajudar foram de uma postura, competência e paciência comigo inexplicável. Fiquei orgulhosa da minha profissão e de meus colegas!

Nos meus pós-plantões ponho um tênis, a mochila nas costas e o som e vou passear, estou conhecendo e amando cada pedaço deste Paraíso.
O pessoal daqui fica admirado com a minha disposição, novidade para vocês, me perguntam da onde eu tiro tanta energia...eheeh

Já fiz aula capoeira, fiquei rindo da minha cara de pau, a pessoa mais desajeitada da sala errava tudo jogava braço para lado perna outro, e ainda por cima o professor não ajudava nada .........Feioooooooooooo.................credo! O apelido do Professor “cachorrinho” imaginem só , tá certo ele é filho do cachorrão , dono do bar do cachorro......Mas o menino é de parar trânsito......

Ontem fui jantar em grande estilo na Pousada do Zé Maria, sim aquela que aparece na Caras com os bonitos e famosos brindando no ano-novo. Um buffet gastronômico...
Para quem trabalha na ilha existe um desconto 50 % ..Ufa ....
Coloquei um belo vestido, maquiei meu rosto, como a Fabi me ensinou, e fui!!!
Maravilhoso! Parada obrigatória em Noronha, sem contar que o Zé Maria participa todo tempo, explica os pratos, conversa com todo mundo, dá para entender o sucesso do cara!

Já fiz minha primeira aula teórica de mergulho, e nesta segunda quinzena vou me dedicar conhecer o fundo do mar do paraíso.

Má noticia não tenho saudades de porto alegre, tenho saudades sim é de vocês, muitas vezes penso assim “imagina se a Mari estivesse aqui, olho para um lugar que já fui com a Be e aperta o peito, o Luciano e a Deby iriam adorar o Zé Maria, a Fábia no forró do cachorro, a Fabi com grande estilo no Tom Marrom, os sobrinho brincando na água, a Lu e o Lucas e os filhotes, meus irmão, minha mãe, meu pai e Lurdes.”.......Sinto falta de todos vcs...

Decidi voltar para passar meu aniversário aqui, todos estão convidados eu pago a festa!!!!!

Ufa cansei.. vou atender chegou paciente...
Bj
Márcia Noronhense

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Primeiras horas.............

Minhas primeiras horas de viagem...
Definitivamente viajar sozinha fazer escala em Guarulhos não dá certo para mim.
Lembro que há 13 anos quando estava indo passar um mês na Florida cheguei nesse aeroporto vomitando..óbvio que naquela época a indisposição era uma ressaca sem fim...
Mas hoje a coisa é diferente, não é tão divertido e vem inevitavelmente um medo de doença, a do momento é a gripe A, mas resumindo a sensação foi horrível, estar caminhando sozinha em um aeroporto enorme e lotado e começar a sentir zonza dizzy, sentei esperando e torcendo que se melhorasse a sensação. Putz me acordei com várias pessoas com maior cara de pavor me olhando e perguntando se tinha alguém comigo, que eu havia desmaiado.........
Aí o que é mesmo que eu estou fazendo aqui, porque mesmo que estou indo para Noronha?
Então veio a equipe médica, me sentaram naquela cadeirinha horrorosa, e lá estava eu que de estar indo para Noronha tinha sim conseguido ir pra posto médico do aeroporto.
Não preciso descrever a sensação horrível que é de ser paciente, a impotência, vulnerabilidade e estar lidando com pessoas que tratam as outras como se as coisas fossem sempre “bobagens”, resolvi adotar minha postura como sendo de um Piti, e me identifiquei como médica e solicitei que não fosse necessária uso de soro glicosado e que já ia passar........Obvio que recebi olhares trucidantes, foda-se eles, se me aplicassem um dramin eu não iria viajar........
Assumi a bronca do meu desmaio peguei minhas coisas e fui recitando um mantra até o portão 21 na intenção de não repetir o feito. Feito embarquei........
E assim cheguei a Recife as 2 da manhã.
Pela manhã vi um lindo dia azul, o mar através da janela, disse adeus ao frio do paralelo trinta, e desci para aguardar o Tal Ronaldo motorista de meu amigo Edvaldo. Uma hora na espera, mais um sinal bad para mim, havia sido esquecida no hotel, uma hora de espera e ligo, e cara estava no hotel me esperando e a idiota da recepcionista que me fez o check out ligava para meu quarto dizendo que eu não atendia.
Ficamos indignados com a falta de comprometimento, mas agradecendo polianamente já que estávamos juntos.
Rumo ao CREMEPE, primeira etapa uma secretária mal humorada que me pede comprovante de anuidade que eu não tinha, Não vai dar diz ela...Vai sim disse eu, pedi um micro e liguei para RS.
Troquei de mesa peguei um secretario e deu sim........Não vai dar é um dos venenos atuais !
Fui ao hospital encontrar com o Edvaldo momento mágico, almoço típico próximo seu trabalho, troca de regalos, lembranças vividas com tempero de risadas, nosso casamento em um mosteiro em Lisboa com finalização com direito a um sorvetinho calórico e gostoso.
Aeroporto de Recife............Excesso de bagagem novamente aí meu Deus como vai gente comigo ........
Cheguei Noronha......Ninguém esperava por mim no aeroporto este que mais parece uma rodoviária, porque mesmo vim para Noronha?
Sentei tentei ligar para três pessoas que achava que podiam me ajudar e todos os telefones desligados, me deu uma solidão comecei a pensar que não seria tão fácil assim estar sozinha.
Nesse momento, coisas que só ocorrem com a Marcinha, olho para dentro de uma caminhonete que acabou de parar e vejo o Pai e o filho de uma amiga, que sorriem para mim e o menino no auge de seu 9 anos me faz o relato maravilhado do que já fez na ilha, e me faz com sua curiosidade infantil mil perguntas do que já fiz na ilha.
Sendo assim o motorista da caminhote se compadece com minha situação e passa um radio para hospital.......Ufa irão me buscar.
Hotel de transito..........A Betania já havia me preparado achei que era exagero,resumo do quarto , uma das janelas sem vidro, colchão sem precedentes, banho terrivelmente frio, quarto ao lado três adolescentes com a TV a mil e risadas desconexas .Fim do mundo em Noronha...Lá estava eu.........
Botei um tênis fui caminhar, me deu saudades de todos, de conversar, de abraçar...assim fui caminhar para deixar a saudades passar e cansar.
Fui identificando o progresso ou retrocesso de Noronha, várias caminhonetes que me traziam a lembrança de minha cidade, varias reformas em bares que eram mais rústicos agora com um que de sofisticados, e fui em direção a pizzaria...Doces lembranças.......
Olhei para igreja agradeci a Deus ou quem quer que seja estar ali, e sentei e ouvi a música que tocava na pizzaria, frase clássica consagrada por mim e pela Betania para descrever a pizzaria para Mari.
E o que tocava era ...”Você não sabe o quanto eu caminhei,para chegar até aqui”, Cidade negra...Enviei um mensagem para Betania aquele momento era mágico.....
Identifiquei que os planos de um certo alguém viram realidade, um bar que era um sonho estava aberto e tocando uma música, fiquei na espreita não estava preparada para encontrar ninguém ainda.
Retornei como uma menina que se esconde do mundo de passos finos observando o mundo...
A noite foi péssima, com mil despertares, risadas, conversas, associada a minha angustia e solidão.
Fui acordada com bater forte na porta, fiquei assustada o que foi são 05h50min da manhã, disse eu.. Não são não doutora o fuso daqui é uma hora na frente seu plantão é as 7 h........Putz banho frio correria total e plantão 24 horas. Porque mesmo........?
Plantão atendi até 10 da manhã 4 pacientes, 2 graves um suposto infarto miocárdio e outro pancreatite........Comecei a me desesperar............A palavra fácil não existe no dicionário dos adultos, assino em baixo.......